o que se foi

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a temporada de verão acabou.

foram-se os turistas.

sobraram alguns retardatários insignificantes na imensidão do mar.

não contam.

hoje, éramos eu, as ondas, a chuva,

e algumas gaivotas ensaiando seu regresso.

estamos tímidas e receosas, elas e eu.

nosso santuário foi afrontado e desrespeitado.

que a chuva e o tempo purifiquem

a heresia do abuso e do descaso.

cochichos

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não sei se abraço a vida ou a morte.

a morte acena cheia de facilidades e finalizações.

xeque mate. ponto final.

já a vida,

impõe sacrifícios e compensações.

um ainda em constante processo.

– o próximo. o seguinte. mais uma, outra vez –

ando tão farta de me exigir e me infligir

perfeição, decepção, dor.

a morte funga meu cangote,

cochicha outras vidas.

Ceramicando

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Florianópolis é um celeiro de arte e artesanato. Do tipo alternativo, rústico, movido à inspiração, criatividade e sustentabilidade. Anos atrás, tipo 25 anos, fiz um curso de tear, no Mercado Público, no centro da cidade. Foram 3 tapetes com técnicas e cores diversas. E, totalmente tortos. Foram os únicos tapetes de tear que fiz. A técnica não me seduziu: o processo, os movimentos, a poeira, o esforço físico, o resultado final. Das artes tradicionais da ilha, é a cerâmica que mais me encanta (não o tear). Não sei quanto é realidade, quanto é fantasia na arte de produzir artefatos e esculturas em barro. O que sei é que adoro cerâmicas exclusivas, e o quanto gostaria de fazê-las eu mesma.

Como tudo na vida, o melhor jeito é fazer e ver o que acontece. Amar ou odiar são possibilidades do novo.

Com o término do curso de Arteterapia, a curiosidade quanto ao uso terapêutico da argila me motivou a buscar possibilidades de prática e estudo.

E possibilidades de curso de cerâmica em Florianópolis, é o que não falta.

A primeira opção sugerida é gratuita e vai ao coração da arte em barro na ilha. A Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros, em São José (arredores de Florianópolis), é referência na tradição oleira do estado. Professores e materiais são por conta da Prefeitura Municipal de Florianópolis. A taxa cobrada de R$ 20,00 serve para pagamentos diversos da escola.

O curso é de 3 anos. 2 vezes por semana. 2 horas cada aula = 4 horas semanais.

As técnicas abordadas são o torno, o figurativo e o acordelado. Pretendo saber mais sobre cada uma destas técnicas, e depois, escrever sobre elas.

Infelizmente, por questões de “sob nova direção”, não estão acontecendo aulas de acabamento em pintura. Aprende-se do sovar e trabalhar o barro, preparar e queimar a peça em forno elétrico e/ou à lenha.

Zanzando pela escola, me deparei com várias esculturas em diversas fases de acabamento e peças utilitárias já queimadas, prontas para o acabamento final. Óbvio que me encantei e me horrorizei ao mesmo tempo.

Será que quero?

De qualquer forma, “quem não arrisca não petisca”, não é mesmo?

A maior dificuldade é a distância. De casa até a escola são 45Km de ida + 45 Km de volta = 90Km por aula. 2 aulas por semana = 180 Km.

Ou então, fazer aula em atelier particular, esparramado em qualquer canto da ilha. São vários, cada um com propostas mais interessantes, técnicas de acabamento e pintura mais exóticas e sofisticadas que outros.

Me recomendaram o espaço da ceramista Vânia Bueno (acima). Vai ser, tipo assim, um pós graduação em cerâmica. Ou quem  sabe algum estúdio ou ateliê em Santo Antonio de Lisboa ou no João Paulo. As opções são várias se o enfoque for o fazer cerâmico.

Quando o enfoque se tornar terapêutico, o curso da a psicóloga curitibana Maria da Glória Bozza “Argila – Espelho da Auto-Expressão” será tipo, meu doutorado em cerâmica. Projeto para um pouco mais adiante.

Forjando a armadura – Rudolf Steiner

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“Nego-me a submeter-me ao medo

Que me tira a alegria da minha liberdade

Que não me deixa arrriscar nada.

Que me torna pequeno e mesquinho, que me amarra,

Que não me deixa ser direto e franco, que me persegue

Que ocupa negativamente a minha imaginação,

Que sempre pinta visões sombrias.

 

No entanto não quero levantar barricadas por medo do medo

Eu quero viver e não quero encerrar-me.

Não quero ser amigável por medo de ser sincero

Quero pisar firme porque estou seguro, e não para encobrir o meu medo.

E quando me calo quero fazê-lo por amor e não por temer as

conseqüências de minhas palavras.

 

Não quero acreditar em algo só pelo medo de não acreditar em nada.

Não quero filosofar, por medo que algo possa me atingir de perto

Não quero dobrar-me só porque tenho medo de não ser amável

Não quero impor algo aos outros pelo medo de que possam impor algo a mim.

Por medo de errar não quero me tornar inativo.

Não quero fugir de volta ao vellho, o inaceitável. Por medo de não me

sentir seguro de novo.

Não quero fazer-me importante porque tenho medo de ser ignorado.

 

Por convicção e amor quero fazer o que faço e deixar de fazer o que

deixo de fazer

Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor

E quero crer no reino que existe em mim.” (Rudolf Steiner)

Uma poesia que poderia ser um mantra para a vida.

A pintura como método arteterapêutico – Linguagens do Inconsciente

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O artigo científico de conclusão do curso de Arteterapia ganha forma e conteúdo.

O tema: a Pintura como forma de expressão, uma ferramenta psicológica de alto impacto, incrivelmente prazerosa e reveladora do universo inconsciente de cada um de nós. Alguns chamam esta técnica de Pintura Espontânea, outros de Pintura Intuitiva.

Gosto de pensar que são Diálogos do Inconsciente.

Afinal, qualquer um pode praticá-la, pois não é necessário nenhum conhecimento prévio na arte pictórica. Sei do que estou falando. O resultado são telas exclusivas e cheias de personalidade. Por este motivo, decidi desbravar o que acontecia quando juntava lona preta, tinta, telas, varetas, água e pinceis + a vontade quase insana de ganhar espaço e encontrar alguma forma de revelação para minhas emoções. O resultado sempre me surpreendeu. O processo também. Entender teoricamente o que fundamenta a arte abstrata, como e porque ela acontece, foi mais que atender uma exigência acadêmica. Foi uma busca pessoal e um desafio profissional. Uma extensa referência bibliográfica já fundamenta o que tantos outros já viveram e sentiram. De Pollock a Miró, Picasso e Kandinsky, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Portinari e outros tantos.

Todos, artistas a frente de seu tempo, conectados a seu próprio tempo.

Deste extenso trabalho, estudo e reflexão, uma nova construção profissional ganha forma. Um reinventar-se acontece. E tudo, absolutamente tudo, decorrente da escuta atenta do que a intuição e o inconsciente pessoal tem a dizer. A mim, a você, a qualquer um que esteja aberto a mergulhar nas profundezas do próprio mundo interno.

“ A pintura permite que o “invisível se torne visível”. (Paul Klee)

RESUMO

O presente artigo visa estabelecer uma relação entre a arte abstrata, o círculo psico-orgânico criado por Paul Boyesen e a psicologia analílita de Carl Gustav Jung. Para tanto, busca na arte e na vida do pintor norte-americano Jackson Pollock algumas referências quanto ao processo psicológico que desencadeia um tipo especial de arte, com uso específico de técnicas e materiais como forma de expressão do mundo inconsciente de quem pinta. A autora deste artigo, assim como Pollock, utilizou-se dos mesmos recursos artísticos, como forma de expressão e busca de resolução egóica. A profusão dos trabalhos pictóricos e o bem estar psíquico conquistados – tanto pela forma, como pela intensidade artística – confirmaram a importância da arte com fins terapêuticos, através da linguagem e expressão do Inconsciente.

Palavras Chave: Arteterapia; Pintura Abstrata; Jackson Pollock; Carl Gustav Jung; Círculo Psico-orgânico – Paul Boyesen

INTRODUÇÃO

“Pollock , Jung e eu – a pintura como método arteterapêutico” – é o relato de uma experiência pessoal vivida durante um período de grandes mudanças e adaptações pessoais. Uma casa nova, num lugar absolutamente novo, uma nova condição de vida pessoal (menopausa) e conjugal (aposentadoria do marido), o distanciamento dos filhos (Ninho Vazio) e todos os desafios próprios do desenvolvimento normal do ciclo vital humano.

Neste ínterim, a pintura clássica cede lugar à pintura abstrata de forma inconsciente e intuitiva, tornando-se uma ferramenta arteterapêutica essencialmente autodidata. O único objetivo, a expressão e a vazão de emoções e sentimentos obscuros e efervescentes. A manifestação majestosa e inequívoca do Inconsciente.

Passados quatro anos, mais de 20 telas produzidas, o ciclo pictórico se fecha. O ciclo psico-orgânico de Paul Boyesen avança e cede lugar a um novo movimento, a uma nova etapa de vida.

Um novo ciclo se inicia. Uma nova necessidade se apresenta.

Ao relato deste processo pessoal serão anexadas fotos de algumas obras abstratas, referencial bibliográfico sobre a terapêutica contida no uso de tintas e outros materiais plásticos, e por fim, uma conclusão pessoal sobre a vivência deste processo arteterapêutico.

Por enquanto, apenas o começo do começo. Resumo+ Palavras Chave + Introdução.

o medo de ser impulsiva me tornou indecisa

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Em dezembro de 2014 postei minha última Miniatura. Uma categoria para as ideias simples. Recortes, retalhos e porções. Sementes e grãos. Tipo um insight, um flash, uma sacada … e, das duas uma: ou ando sem ideias simples, apenas ideias complicadas e complexas: ou, ando despersiva demais.

Pra não dizer que não falei das flores:

“o medo de ser impulsiva me tornou indecisa”

Uma tulipa de miniatura.

sótãos e porões

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sótãos e porões são encantadores e muito,

muito promissores.

caixas velhas e esfarrapadas, sacos plásticos mofados,

socados em fundos de armários e prateleiras,

velam o que poderia ser importante,

mas se perdeu no tempo e no conceito do que deveria ter sido.

a vida também é assim.

nas catacumbas da nossa existência

existem verdadeiros tesouros perdidos e mofados.

incompreendidos e mal interpretados.

lembranças dissipadas e esquecidas

em fundos de baús corroídos de cupins e carcomidos por traças.

lembranças que remendadas

restauram a história do que a gente foi,

no que a gente se transformou. ou poderia ter sido.

os próprios becos escuros da alma

fazem-nos reconhecer

– sem medos nem traumas –

o passado que tivemos.

nele, habitam o mistério e a magia.

a verdade e a mentira.

Cadernos escolares

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Durante as férias de verão recebi a visita da minha afilhada. Assim que ela descobriu meu atelier e meus materiais de scrap, foi logo pedindo se eu encaparia os cadernos dela. “Claro que sim” respondi, certa de que seria mamão com açúcar. E foi. Três cadernos em espiral comuns, fitas dupla face, tesoura, restos de papeis antigos, adesivos, inspiração e a curiosidade da minha afilhada bafejando minha nuca, foram suficientes para fazer um trabalho divertido e exclusivo. A cara da minha afilhada adolescente. Se ela gostou dos cadernos?

O primeiro caderno foi trabalhado com papeis brilhantes, nos tons rosa, lilás, roxo e verde.

Já o segundo, seguiu uma padronagem mais envelhecida, em tons terracota e adesivos escolhidos para dar um colorido jovial às donzelas do século passado.

O terceiro caderno priorizou a alegria e o colorido da juventude.

Todos os três cadernos tiveram as capas e contra-capas frontais e traseiras decoradas, seguindo o tema escolhido de cada um. Um recurso que adoro colocar tanto em agendas como em cadernos são os envelopes internos. Além de bonitos e charmosos,são extremamente úteis: sempre tem um papel, orçamento, foto, folder que precisa ser bem guardado e acomodado.

Pelo que me lembro, minha afilhada ADOROU os cadernos. E você? Se animou?

O muito que se faz com pouco

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O scrap, assim como o patchwork, o mosaico, a literatura, a pintura e tantas outras artes, existem graças à união de quantidades incertas de vários materiais e inspirações. O muito que se faz com pouco engrandece retalhos de tecidos, fitas e linhas; papeis, colas, folders, ingressos e mapas; azulejos, pastilhas de vidro, cacos de porcelanas e espelhos; palavras, frases e clichês; potes, tubos e latas de tintas e texturas.

O universo da sucata pode ganhar nova vida, função e utilidade. Ou, pode sumir no lixo.

Como arteira deste mundo encantado em desuso ou descartável, encontro verdadeiros tesouros do passado, possibilidades para o futuro. Tem gente que adora casa nova. Também eu as adoro. Mas, é nas casas antigas que encontro surpresas e antigas novidades em forma de antiguidades de valor inestimável. Sótãos e porões me encantam pela promessa que representam. Caixas velhas e esfarrapadas, sacos plásticos mofados e socados em fundos de armários e prateleiras, aconchegam o que poderia ser importante mas se perdeu no tempo e no conceito do que deveria ter sido.

A vida também é assim. Nas catacumbas da nossa existência existem verdadeiros tesouros perdidos e mofados. Incompreendidos e mal interpretados. Acredito em lembranças perdidas e esquecidas nos fundos de baús corroídos de cupins e carcomidas por traças. São lembranças que quando remendadas restauram a história do que a gente foi e no que se transformou. Acredito que nem toda lembrança é traumática e dolorosa. Como bem afirmou James Hillman “Talvez nossa vida seja menos determinada pela infância do que pelo modo como aprendemos a imaginar nossa infância.” Entrar em nossos becos mais escuros e revirar fatos e fotos, imaginações e divagações pode ser uma ótima maneira de nos reconhecer sem medo. Pouco importa o passado que tivemos. Importa o que fazemos com ele ou com o que deixamos que ele faça conosco.

E nele certamente habitam o mistério e a magia.

fazendo as contas

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se nesta vida alguém te amou

– sua mãe, filhos, irmãs, irmãos, amigos, colaboradores –

outros tantos te odiaram.

te amei demais. te odiei outro tanto.

hoje, somo e subtraio, multiplico e divido.

a equação do que sinto por ti é complicada.

confusa.

perversa.

te amo demais, sim.

sempre fui péssima em matemática.

na pele

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vontade de arrancar a própria pele e me vestir outra.

sair deste corpo que aperta. estrangula e sufoca.

um corpo que não me serve, nem me define mais.

ruiu, virou pó. espatifou.

me esmigalhei inteira.

sumo em frestas feito água. feito pó.

sem forma, sem contorno. líquida. invisível.

essa não sou eu.

diluída, me agarro aos sonhos de menina,

aos projetos de mulher madura, à falta de sentido.

meu medo é escorrer, me misturar ao lodo à minha volta,

e perder de vez qualquer fio de lembrança

  • ou esperança –

do que um dia fui ou imaginei ser.

o que vivi pensando que era nosso,

era apenas meu.

a tua verdade, era somente tua.

jamais nossa.

vivemos a dois, sendo cada um, um.

o tempo todo. quase a vida inteira.

minha verdade é

– e sempre será –

todo meu mundo.

um mundo somente meu.

uma verdade – queria eu – fosse completamente nossa.

Pequeno tratado sobre a mortalidade do amor

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Todos os dias morrem amores. Quase nunca percebemos, mas todos os dias morrem amores. Às vezes de forma lenta e gradativa, quase indolor, após anos e anos de rotina. Às vezes melodramaticamente, como nas piores novelas mexicanas, com direito a bate-bocas vexaminosos, capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos. Morre em uma cama de motel ou em frente à televisão de domingo. Morre sem beijo antes de dormir, sem mãos dadas, sem olhares compreensivos, com gosto de lágrima nos lábios. Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, cartas cada vez mais concisas, beijos que esfriam aos poucos. Morre da mais completa e letal inanição.

Todos os dias morre um amor. Às vezes com uma explosão, quase sempre com um suspiro. Todos os diasmorre um amor, embora nós, românticos mais na teoria do que na prática, relutemos em admitir. Porque nada é mais dolorido do que a constatação de um fracasso. De saber que, mais uma vez, um amor morreu. Porque, por mais que não queiramos aprender, a vida sempre nos ensina alguma coisa. E esta é a lição: amores morrem.

Todos os dias um amor é assassinado. Com a adaga do tédio, a cicuta da indiferença, a forca do escárnio, a metralhadora da traição. A sacola de presentes devolvidos, os ponteiros tiquetaqueando no relógio, o silêncio ensurdecedor depois de uma discussão: todo crime deixa evidências.

Todos nós fomos assassinos um dia. Há aqueles que, feito Lee Harvey Oswald, se refugiam em salas de cinema vazias. Ou preferem se esconder debaixo da cama, ao lado do bicho-papão. Outros confessam sua culpa em altos brados, fazendo de pinico os ouvidos de infelizes garçons. Há aqueles que negam, veementemente, participação no crime, e buscam por novas vítimas em salas de chat ou pistas de danceteria, sem dor ou remorso. Os mais periculosos aproveitam sua experiência de criminosos para escrever livros de auto-ajuda com nomes paradoxais como “O Amor Inteligente”, ou romances açucarados de banca de jornal, do tipo “A Paixão Tem Olhos Azuis”, difundindo ao mundo ilusões fatais aos corações sem cicatrizes.

Existem os amores que clamam por um tiro de misericórdia: corcéis feridos.

Existem os amores-zumbis, aqueles que se recusam a admitir que morreram. São capazes de perdurar anos, mortos-vivos sobre a Terra teimando em resistir à base de camas separadas, beijos burocráticos, sexo sem tesão. Estes não querem ser sacrificados, e, à semelhança dos zumbis hollywoodianos, também se alimentam de cérebros humanos, definhando paulatinamente até se tornarem laranjas chupadas.

Existem os amores-vegetais, aqueles que vivem em permanente estado de letargia, comuns principalmente entre os amantes platônicos que recordarão até o fim de seus dias o sorriso daquela ruivinha da 4a. série, ou entre fãs que até hoje suspiram em frente a um pôster do Elvis Presley (e, pior, da fase havaiana). Mas titubeio em dizer que isso possa ser classificado como amor (Bah, isso não é amor. Amor vivido só do pescoço pra cima não é amor).

Existem, por fim, os amores-fênix. Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência, das contas a pagar, da paixão que escasseia com o decorrer dos anos, da TV ligada na mesa-redonda ao final do domingo, das calcinhas penduradas no chuveiro e das brigas que não levam a nada, ressuscitam das cinzas a cada fim de dia e perduram – teimosos, e belos, e cegos, e intensos. Mas estes são raríssimos, e há quem duvide de sua existência. Alguns os chamam de amores-unicórnio, porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas. Mas não quero acreditar nisso.

Um dia vou colocar um anúncio, bem espalhafatoso, no jornal.

PROCURA-SE: AMOR-FÊNIX (ofereço generosa recompensa)

Alexandre Inagaki