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vontade de arrancar a própria pele e me vestir outra.

sair deste corpo que aperta. estrangula e sufoca.

um corpo que não me serve, nem me define mais.

ruiu, virou pó. espatifou.

me esmigalhei inteira.

sumo em frestas feito água. feito pó.

sem forma, sem contorno. líquida. invisível.

essa não sou eu.

diluída, me agarro aos sonhos de menina,

aos projetos de mulher madura, à falta de sentido.

meu medo é escorrer, me misturar ao lodo à minha volta,

e perder de vez qualquer fio de lembrança

  • ou esperança –

do que um dia fui ou imaginei ser.

o que vivi pensando que era nosso,

era apenas meu.

a tua verdade, era somente tua.

jamais nossa.

vivemos a dois, sendo cada um, um.

o tempo todo. quase a vida inteira.

minha verdade é

– e sempre será –

todo meu mundo.

um mundo somente meu.

uma verdade – queria eu – fosse completamente nossa.

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