Tags

, ,

O pior do verão é o calor. O melhor, as promoções. E liquidações. Vinha namorando há tempo um livro de arte do pintor americano Jackson Pollock. Qualquer um seria meu suficiente. Em parte, por necessidade. Em parte, por capricho. Queria conhecer a história e a personalidade de Pollock. Queria encontrar uma relação entre a arte dele e a minha: meu tema de conclusão da Arterapia. Quando retomei a pintura, em 2013, sabia apenas que não frequentaria nem escola, nem professor, nem estudaria técnicas de pintura. De todas as artes e artesanatos que faço, a pintura é a arte que menos domino. O desenho, as cores, a luz, a sombra. Algo acontece, pois sempre, absolutamente sempre, perco a mão. Do período em que pintei em atelier de pintura, sinto-me uma fraude na maioria das telas. As pinceladas mais marcantes são das professoras que tentavam me ensinar a pintar. Nunca aprendi.

Mas, queria pintar.

Queria imprimir cor na minha história. Quando decidi pintar uma tela para a adega de casa, comecei carimbando a tela com o fundo molhado de vinho da garrafa + placas de madeira de caixas de vinho. Ficou feio, tenho de admitir. Ao olhar para a tela, a certeza de que aquele troço definitivamente não era para mim. A vontade era de jogar tudo no lixo. O que quer que eu fizesse com aquela tela detonada não mudaria o pior destino dela. Levei-a ao jardim. Era de tarde ainda, e o dia, ensolarado. Peguei restos de tintas acrílicas e fiz, sem-saber-sabendo-apenas-sentindo minha primeira drip painting. O resultado? Absolutamente a minha cara. Amei, minha família amou, os amigos também. A tela da adega abriu a porteira para muitas outras telas. Devo ter pintado umas 20 telas desde então.

tela-adega

Se domino a pintura hoje? Não, ainda não. Tenho, assim como Pollock teve, dúvidas quanto ao meu fazer pictórico. “Isto é uma pintura?” Teria sido o questionamento de Pollock a Lee Krasner, influente pintora expressionista abstrata da segunda metade do século XX.

Isto é uma pintura? Penso que sim. Minha pintura é uma deliciosa brincadeira com cores e tintas. O resultado me agrada e alegra. Não me sinto mais uma fraude, pois cada uma das 20 telas pintadas nestes últimos 3 anos, refletem exatamente quem sou.

Voltando ao verão e às promoções.

Junto com Pollock vieram mais 14 livros de literatura (entre escritores nacionais – tipo novos talentos – e estrangeiros). Todos, em promoção de 50 a 80 %. Se são literatura de primeira? Ainda vou saber. Depois eu conto.

livros

 

Anúncios